O reconhecimento do esporte como canal de socialização positiva ou inclusão social, é revelado pelo crescente número de projetos esportivos destinados aos jovens das classes populares, financiados ou não por instituições governamentais e privadas. Nos últimos anos, a participação de atletas de destaque (Raí, Cafú, Leonardo, Deco e outros), oriundos do futebol, pelo próprio peso social do mesmo, na criação de organizações dedicadas a ofertar atividades esportivas e culturais para crianças e jovens das camadas populares é um indicador privilegiado da força do complexo de crenças esboçadas sobre o esporte. No bairro Jardim Gonzaga, esta iniciativa não foi tomada por nenhum ex-jogador, empresário ou de nenhum outro membro de qualquer entidade de classe. Luiz Carlos, 29 anos, operário da construção civil. Educa por meio do futebol, quarenta e seis crianças e jovens, a maioria, filhos de pais humildes que dificilmente teriam uma outra condição de proporcionar a ele qualquer tipo de entretenimento que fosse. Diante de tantas oportunidades ruins que a vida tem oferecido aos nossos jovens de hoje como drogas, bebidas e a própria criminalidade, é louvável que se pratique essas atividades inclusivas. A senhora Roselange de Morais é mãe de Francisco Erivan de 12 anos de idade. “Até o comportamento dele aqui dentro de casa mudou depois que ele começou a participar da escolinha. Antes ele era teimoso, não me obedecia. Hoje até as suas notas na escola melhoraram muito”. Na escolinha, tento ensinar para eles que a vida tem muito mais coisas importantes do que apenas jogar futebol. O respeito com a mãe, como pai, com os irmão, com a tia na escola e principalmente com si mesmo, é fundamental para que eles consigam ser alguém quando crescerem. Eu me uso muito como exemplo. Falo para eles que tive todas as oportunidades de estudar e não quis. Tive oportunidade de jogar num grande time de futebol e também não quis. E hoje eles vêem que tudo o que consegui ser foi um pedreiro. Eles me respeitam, mais fora do campo, ninguém mais sabe quem sou eu e é isso que eu não quero que eles também sejam. O grupo chama-se Força Comunitária e se reúne as tardes de sábado no campo do Jardim Gonzaga. Podem participar crianças com idade entre 8 a 15 anos. O time está arrecadando dinheiro para confecção de seu material esportivo. Disponibilizamos o email da nossa redação para contato de interessados em participar da campanha. jgnoticias@hotmail.com.
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